sábado, 2 de maio de 2009

No altar da noite

Senhora, caio de joelho aos teus pés.
Eu imploro, quarde-me no aconchego da tua luz, acuda teu filho.
Tu és a santa de todos mares, és a mãe dos aflitos, és a lucidez dos loucos.
Senhora, desvirgine essa dor que me acabrunha,
Seja a dona do meu ventre, mande ela embora.


Não me deixe adormecer na frialdade dessas horas.
Leve-me a loucura se esse for o único jeito de me guiar para longe daqui.

Oh, minha santa, minha mãe, minha senhora,
Abençoe esse teu filho caído, como fazes com os lobos.
Finque tua honrosa espada de prata no coração desse assombro que se espalha na floresta da minha alma.

(A casa dos invisíveis)

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